“O essencial já não é ter um automóvel mas sim ferramentas para a mobilidade”

    23 Julho, 2021 José Ricardo Sousa 103 Sem comentários

    Baptista da Costa, antigo director do Metro do Porto, acredita que as ferramentas que oferecem mobilidade à população como a Uber têm ganho muita importância no seio das populações mais jovens, em detrimento da ideia do veículo pessoal

    O Caminho para a Mobilidade Sustentável no Minho’ foi o grande tema da conferência promovida pelo Europe Direct Minho, sediado no Instituto Politécnico do Cavádo e Ave. Esta conferência foi transmitida na rádio Antena Minho e moderada por Paulo Monteiro, director do Jornal Correio do Minho, tendo contado com a participação especial dos convidados Baptista da Costa, antigo director do Metro do Porto, Rafael Amorim, primeiro secretário executivo da CIM Cávado e Ricardo Costa, presidente da Associação Empresarial do Minho. A conferência foi transmitida ontem na rádio Antena Minho e nas redes sociais desse meio de comunicação. Nesta conferência, Baptista da Costa defendeu que cada vez mais a mobilidade é mais partilhada entre as pessoas e que coisas que para outras gerações seriam essenciais, como o auto- móvel, tem perdido importância para as gerações mais novas. “No futuro, a mobilidade será ainda mais partilhada do que é hoje. Cada vez mais haverá mais sistemas de ‘bike sharing’ e temos de também ter em conta a natural evolução tecnológica que o passar dos anos trará. Hoje em dia, para as gerações mais novas, coisas essenciais para a mobilidade como o automóvel têm perdido importância. O essencial, agora, não é ter um automóvel com o qual nos possamos movimentar, mas sim que tenhamos ao nosso dispor, ferramentas que nos ofereçam mobilidade, como por exemplo a Uber”, explicou o antigo director do Metro do Porto.

    Baptista da Costa ainda acrescentou que, para dar resposta a estas crescentes evoluções da mobilidade, é preciso proceder a um redesenhamento das estradas. “Para dar resposta a estas mudanças cada vez mais vividas nas nossas cidades, é preciso que se entre num processo de redesenhamento das estradas. Nesse sentido, as cidades de Braga e Guimarães têm sido um exemplo”, atirou Baptista da Costa.


    O antigo director do Metro do Porto ainda deixou claro que estas inovações do redesenhamento das cidades irá contribuir para um “despoluir as cidades, oferecendo uma maior atractividade aos espaço citadinos”.

    Baptista da Costa também salientou que, quando se fala que até 2030 temos que reduzir as emissões de gases de efeito de estufa em 55%, é preciso ter a noção que isso é já “ao virar da esquina”.

    “As pessoas não têm bem noção disto ainda mas, quando se fala que até 2030 temos que reduzir as emissões de gases de efeito de estufa em 55% e que os carros em 2035 já têm que ter zero emissões, isto é já ao virar da esquina. 2030 é daqui a nove anos. No futuro, maior parte da mobilidade será feita de bicicleta, mas, para tal, é preciso que se criem os meios e as condições necessárias para que assim seja”, explicou o antigo director do Metro do Porto.

    Baptista da Costa realçou ainda que Portugal está no meio de uma batalha dura e cansativa, mas que não pode baixar os braços por temos outra luta à porta. “Neste momento, a grande preocupação de toda a gente, e com toda a razão, é a pandemia da Covid-19. Todavia, não nos podemos esquecer que a pandemia da Covid-19 é só uma das lutas que temos pela frente. É preciso unir a população toda para combater-mos a poluição e os seus impactos destrutivos que temos assistido nas alterações climáticas. Estamos a sair de uma luta, mas temos de entrar já noutra”, atirou o convidado da conferência sobre ‘O Caminho para a Mobilidade Sustentável no Minho’. O antigo director do Metro ainda deixou claro, embora haja muita poluição aérea e marítima, “o primeiro passo a tomar neste combate às alterações climáticas passa, sem sombra de dúvida, pela diminuição do número de carros e pela transição para meios de transportes mais amigos do ambiente.

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